setembro 18, 2010

Diálogo de Loucura

Acham que tenho cara de besta, de louco? Não se enganem. São vocês os loucos.
Defina loucura, amigo... Se você apenas acha que são aqueles que contrariam a razão, está certo... Sou louco. Sou louco por fugir das suas definições, por fugir de um sistema que nos destrói, mudando privilégios e conceitos? Sou louco apenas por ser EU?
Desculpa meus pensamentos, embora singelos. O julgamento particular não participa da minha vida. Não pretendo arrepender-me de nada, nada. Utilizo o velho clichê “prefiro arrepender-me do que fiz a arrepender-me do que não fiz”. Pensamento simples, mas correto. Dizer que espera “profundamente” de que não haja volta é mentir para si. Simplesmente, não se engane. Será pior. Você está consigo o que já é suficiente.
Todos necessitam de um momento “sozinho”, de espaço, de maturidade, de RESPEITO. Se aspirar a isso também é loucura, desculpa, mas é o que eu quero. Não adiantará fugir dos braços de Morfeu ou chorar, não podemos voltar no tempo. Entretanto, se pudéssemos, não voltaria para mudar nada na nossa história, mas alteraria outras que afetariam os meus ideais de hoje.
Apenas peço desculpa pela minha vulga “Loucura”.
Eduardo Mulato do Vale

setembro 09, 2010

Apenas seu...

     Que olhar. Tento desvendar o que se passa na sua cabeça. Nada sei, nada.
     Ao ser visto de um modo, é uma visão, de outro, miragem.
     Tento chegar a realidade, apenas almejo.
     É ótimo sonhar junto a ti, é ótimo enamorar teus labirintos, com micelas de virtude e de sadismo. Como você é sádica, menina...Quem me dera se fosse apenas sadismo.
    Tolerância zero
    Mas que olhar...Transforma o óbvio num segredo criptografado, transforma o perto num imenso infinito, transforma o tempo em algo efêmero, indispensável.
    Afinal, que olhar é esse?

setembro 06, 2010

Sofrimento tolo e heróico

Quando será que alguém descobrirá o que fazer para não sofrer?
Sofrimento. Essa é a palavra da humanidade.
Por que gostamos tanto de sofrer? Será que somos todos masoquistas?
Meio hilário, não acha?
Não. Não acho.
Você acha hilário ver a destruição dos povos através de genocídios, através da mídia, que tenta convergir vossos ideais e vossos pensamentos para que não haja diferenças entre as mentes, encerrando, assim, a famosa seleção intelectual?
Você acha hilário visualizar diariamentes várias pessoas sendo vítimas de holocaustos?
Quem sofre, também, não acha engraçado.
Desculpa-me, mas você já tornou-se um alienado, mais um brinquedinho do sistema, seguindo o idiotismo do senso comum.
Sofrimento leva-nos à adaptação. Sofrimento leva-nos ao amadurecimento, à mudanças de personalidades, às vezes não aceitas por alguns.
O acaso de uma situação desesperada, involuntária e virulenta, poderá mudar, independente de quanto dure, uma vida por completa, uma cultura milenar, uma base constituida por bilhões de ideologias e de sentimentos.
O sofrimento leva-nos a mergulhar em meditações cuja a natureza não se é possível adivinhar, o que leva a passarmos um pelo outro e não enxergarmos o sofrer do próximo.
Minha'lma vive sob constantes mutações. Minha'lma se abisma em silêncio e em espanto com este vulgo "mundo medíocre", citado em textos anteriores.
Sofrer sozinho, traz à tona, o sentimento de um mundo completo. Parece ser um ato heróico, mas é, apenas, tolice.



                                                                              Eduardo Mulato do Vale

setembro 03, 2010

O silêncio de uma madrugada

Chegam momentos do dia que você fica sem saber o que falar e o que discutir. Fico a esperar o sono, que teima em não invadir-me. Passo a escutar um nada, um vácuo abaixo da estratosfera de um subconsciente que não é o meu.
Movimentos na rua. Maconheiros a fumar. Escuridão que torna o ambiente o mais sepulcral possível. Não há santos nem anjos que levem a libertação de espíritos da madrugada. Mas, afinal, quais são os segredos de uma madrugada?
Acabo de ouvir um barulho na cozinha. Coração passa a disparar. Outro barulho. O que está acontecendo? Vou adentrar a casa para voltar ao meu ócio relaxante ou continuo numa pressão sistólica descontinua? Não importa. Aproveite o silêncio da madrugada que assolam os seus ouvidos, os seus sentidos em geral, até você perder a consciência e ir direto a um mundo onde não se sabe como chegaste lá.
Tentei refletir sobre o que se passa em uma madrugada. Tentei descobrir-me em uma madrugada. Desfrutei e desabrochei meus sentimentos. Deixei-me levar ao máximo pela intuição. No fim, tudo convergiu para o NADA.
Acho que o “silêncio” já não e mais silêncio, e sim perturbação. Acho, também, que a “madrugada” já não é mais madrugada, pois o crepúsculo matutino veio a iluminar meus olhos e as minhas inconstâncias.
Mas, afinal o que acontece sob o silêncio de uma madrugada?

agosto 29, 2010

Paradoxo da vida

O brilho de uma escuridão
O amor de um ódio
O ópio do sentido
A adoração do desgosto
A sabedoria da idiotice
A maturidade infantilizada
O despertar de um acordado
O paradoxo de um paradoxo
Quem conseguirá desvendar?

agosto 16, 2010

Vida Morta

Homenagem a Salvador Dali
http://pt.wikipedia.org/wiki/Salvador_Dal%C3%AD





A vontade morrer me pertuba de maneira incontrolável.
Será que valerá a pena?
Sentirão a minha falta?
Minha face se eternizará no consciente e no inconsciente das pessoas?
Verei meus inimigos lacrimejarem por mim?
Não quero magoar ninguém, apenas espero ser valorizado.
Não quero deixar de amar alguém, apenas procuro o significado dessa abstração.
Queria ter vivido o infinito dentro do infinito.
Queria ter vivido para descobrir os segredos de um pôr-do-sol.
Queria ter vivido para afogar-me em todos os olhares.
A limitação da sociedade nos impede de viver.
Se um dia eu morrer, espero que saibam que morri para viver.

julho 08, 2010

Mal abstrato.


Viagem longa. Terras obscuras. Noites que nada tem sentido, onde a vida torna-se opaca e a morte, glória.
Acho que já passa das 02:00 da madrugada. Espero ansiosamente pela aurora crepuscular.
Morfeu não agiu sobre mim e Afrodite apresenta-se, mais uma vez, atordoada.
Madrugada noturna pensativa, ótima definição para este tempo. Pessoas ao meu lado roncam, suspiram, como se a vida fosse una, compreensível.
Mente medíocre.
Rio destas pobres mentes que vão em busca do significado das abstrações. Afinal, abstrações são definidas de maneira que sejam indefiníveis.
Egos vivem em função do abstrato, o meu, apenas suspira.
Mundo difícil.
Neste mundo, homem chora, velha infância torna-se infância velha, mulheres perdem o pudor da vida, religiões são movidas pela morte, homens vendem sonhos, segundo Augusto Cury, e crianças, cujo brilho dos olhos se apagou devido a um meio que as obrigaram amadurecer cada vez mais rápido e do modo mais difícil, tirando-lhes a esperança e a essencia infantil.
Mal de mundo sórdido.
Mal de mundo moderno.
Mal abstrato.