A única coisa que vejo são limites.
Limites para amar, limites para abraçar, para demonstrações de afeto, limites para viver.
Viver sob a forma de um "limite" me faz indagar sobre até que ponto ele vai.
Será que é até a morte? Óbvio que sim. O meu limite, no entanto, resume-se a um dia, a um momento, a um luto.
Vejo pessoas por todos os lados. Olham-me como se fosse eu a pessoa que havia perdido a vida( como se eu precisasse delas para ser limitado). Parte do meu limite se foi.
E agora? Estou metade livre ou metade mais preso? Vejo pessoas levando uma vida sem tentar desvendar a incógnita que ela é, sem tentar compreendê-la. Essas pessoas, sim, estão presas aos seus pés, a sua alma, ao seu subconsciente.
Sinto os olhares pesarem mais sobre o meu dorso. Ouço cochichos que mais parecem xingamentos direcionados para o meu egocentrismo e para o meu egoísmo. Luto contra tais sentimentos que trazem à tona mais tristeza, mais mágoas e mais limites.
Volto a repetir que isso é um mal de um mundo medíocre, um mal abstrato que nos faz indagar sobre o por quê de ser feliz, se a tristeza vem logo em seguida.Ela pode tardar, mas nunca falhar.
Eduardo Mulato do Vale
maio 19, 2012
maio 06, 2012
Tempos
Ando, já não sei por onde.
Olho, já não sei para o quê.
Rindo, já não sei se ando.
Vivo, já não sei em que tempo.
Anos plúmbeos ainda são de chumbo.
Anos dourados, já não são dourados.
A Belle Epóque, já não é tão bela.
O preto e o branco já não estão na tela.
Dizem que vivemos em anos a cores.
Dizem que vivemos sob mantos limpos.
Dizem que vivemos em dias plácidos.
Embora só o que vejo são olhares opacos.
Olhares trôpegos, o bêbo têm.
A mente firme, os loucos também tem.
De pudor formado, a puta ainda jaz.
Com dignidade, José já não faz.
Nesse tempo em que Chico vive,
Se ele é mesmo filho da outra,
Sem vergonha atrás não vai,
Daquela porca que nunca soube andar, Pai!
Se você sonha com dias melhores,
Nesses tempos não irão existir.
Se queres saber para onde fugir,
Desça sete palmos para com os vermes co-existir.
Anos de chumbo, já não são mais impar
Anos dourados, enterrando-se estão.
A sua Belle Epóque se esconde no vão.
Pelo preto, domados estamos.
Assim termino uma construção
Cujas cores a revesti-la estão,
Cujas cores a ocultar estar,
O negro escondido sob esses "tempos"
Esses vulgos "tempos celestes".
Eduardo Mulato do Vale
janeiro 24, 2011
Felicidade
P.S.: Texto extraordinário pelo meu aniversário...
Passo por uma nuvem e percebo que ela é feita de algodão, mas não é um simples algodão, e sim um que nunca nem ninguém será capaz de criar. É um algodão afofado por paz e tranqüilidade e um aroma de prazer, mas sem o libido.
Sei que pode parecer surreal, mas isso não é tudo.
Deito-me sobre a nuvem e fico a admirar o pôr-do-sol. Simplesmente lindo. A aurora emitida por ele chega aos meus olhos e os faz ofuscar como se a realidade chegasse cada vez mais perto até um ponto em que começo a me sentir vulnerável de novo, como se eu estivesse começando a cair, mas caindo em sintonia com o Sol.
Chega um momento que me vejo no chão novamente e percebo que a felicidade é tão passageira quanto o pôr-do-sol, mas se aproveitada e admirada da maneira certa, os efeitos que ela causará em você podem ser mais duradouros.
Estou voando... Estou voando... Que céu azul. É um azul que se mistura com todas as cores existentes na atmosfera, um azul que transmite, verdadeiramente, a minha felicidade.
Sinto-me livre. Sinto-me livre de sonhos, de angústias, do ódio. Passo por uma nuvem e percebo que ela é feita de algodão, mas não é um simples algodão, e sim um que nunca nem ninguém será capaz de criar. É um algodão afofado por paz e tranqüilidade e um aroma de prazer, mas sem o libido.
Sei que pode parecer surreal, mas isso não é tudo.
Deito-me sobre a nuvem e fico a admirar o pôr-do-sol. Simplesmente lindo. A aurora emitida por ele chega aos meus olhos e os faz ofuscar como se a realidade chegasse cada vez mais perto até um ponto em que começo a me sentir vulnerável de novo, como se eu estivesse começando a cair, mas caindo em sintonia com o Sol.
Chega um momento que me vejo no chão novamente e percebo que a felicidade é tão passageira quanto o pôr-do-sol, mas se aproveitada e admirada da maneira certa, os efeitos que ela causará em você podem ser mais duradouros.
O fim de um momento
Dias vão se passando junto com as lembranças dos ventos de julho. Nada de bom acontece depois de momentos sempre lembraremos. Não há desilusão maior com o fim de um momento, um fim de uma “microvida”.
Lembro-me como se fosse hoje dos seus dedos enroscando-se em meus cabelos num leve e aconchegante cafuné, sob um céu estrelado onde uma lua minguante predominava em nossos olhos. Lembro-me do jeito de como nos olhamos tentando desvendar um infinito por detrás de outro infinito.
Pus sua mão sobre meu coração e disse:
-Sinta, pois esse é o jeito mais fácil de você ler minha alma.
Você me olhou de uma forma que dava pra ver o brilho em seus olhos, sua áurea engrandecia-se e me invadia.
Entretanto, sempre acreditei que é impossível lê-se um olhar, pois o que é lido são as expressões faciais, mas quando não há expressões, apenas pode-se por a mão sobre o coração e sentir. Simplesmente sentir.
De repente, quando voltei à realidade, vi que aquele momento havia acabado. Senti um peso no meu peito, arrepios que denunciavam a minha carência, a minha ausência de carinho. Penso em não voltar ao “eu” amargo, que era antes de tudo acontecer.
Volto-me em direção a almofada. Deito-me. Olho para o lado e vejo você. Entretanto, quando penso que é verdade, pisco meus olhos e vejo que já se foras.
No fim, vejo que pessoas passam por nossas vidas, assim como lágrimas, que aparecem de repente e, quando menos a gente espera, já se tem ido.
Um momento só chega ao fim quando se quer. Um momento só é doloroso quando se quer. Um momento é decidido pelo destino. PELO SEU DESTINO.
janeiro 22, 2011
SESSÃO MANIFESTO - ACULTURAÇÃO MUSICAL
Com o passar dos anos vão aparecendo novos artistas, novas bandas, novas músicas. Entretanto, o fato de surgir novas músicas com qualidade é uma questão a ser estudada.
O fato de existir essa facilidade e essa liberdade na sociedade, no sentido de fazer alguma critica ou manifesto social, contribui para que essa liberdade contribua para montar bandinhas sem sentido, sem nexo, onde sempre há um que foi vitima de traição, ou vítima de uma paixão não correspondida, e faz uma música para virar modinha, uma música com rimas pobres, uma música cantada por pessoas que não possuem um pingo de talento.
Não estou aqui para citar nomes, pois quem gosta desses tipos de bandas ou músicas tem a consciência, ou não, do que está fazendo. Estou aqui para tentar abrir os olhos da sociedade, pois são vocês que determinam o futuro da cultura internacional.
Por favor, não dêem espaços para essas bandas sem ideologias, sem conteúdo a ser admirado, sem ter como “mexermos a cabeça”.
Mas, como dizem: o inferno são os outros.
Não seja o inferno pra ninguém.
janeiro 16, 2011
Sobreviver
A vontade de morrer me perturba de maneira incontrolável.
Será que valerá a pena?
Sentirão a minha falta?
Minha face se eternizará no consciente e no inconsciente das pessoas?
Verei meus amigos lacrimejarem por mim?
Não quero magoar ninguém, apenas espero ser valorizado. Não quero deixar de amar alguém, apenas procuro o significado dessa abstração.
Queria ter vivido para descobrir os segredos de um pôr-do-sol.
Queria ter vivido para afogar-me em todos os olhares.
A limitação da sociedade nos impede de viver, ou melhor, sobreviver.
Apenas digo se um dia eu morrer, espero que saibam que morri para viver.
janeiro 09, 2011
Sempre ao seu lado
Obs: Esse texto já tem alguns anos, mas apresenta pequenas modificações.
É interessante a forma com que lidamos com quem a gente ama, principalmente se for um amor canino. A capacidade que um cão tem de amar o seu dono, ou amo, como queira, é impressionante.
Há quatro anos perdi meu cão vítima de um assassinato terrível a base de veneno e vidro englobados em carne moída. Só eu sei tamanha que foi a minha dor. Flashbacks e mais flashbacks passavam pela minha cabeça. Lágrimas escorriam sobre meu rosto. Esqueci do mundo por dias, pois só pensava nele.
Quantos momentos de alegria e tristeza eu passei ao lado dele? Quantas vezes ele me mordeu e eu o mordi nas nossas brincadeiras de luta? E os banhos? Cada banho era uma briga, uma eternidade.
Polar era o seu nome, a sua identidade. Comprei-o em 2004 depois de muita negociação. Passava por ele no Pet Shop e ficava a brincar com ele, até o momento que o dono da loja perguntava se eu não tinha nada a fazer. Entretanto, no outro dia eu estava lá de novo até juntar o dinheiro para poder comprá-lo.
Meu amor por ele é eterno e sempre que eu puder chamar ”Polaarr, neguim!” sei que ele virá correndo para mim e darei um grande e confortável abraço, mas sempre dizendo:
-Te amo muito, Polar.
E ele sempre responderá com um latido e não há ninguém que o silencie em mim.
Assinar:
Postagens (Atom)

